quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

longe de você
eu sou menos eu.
sou mais café,
leite, poesia.
sou mais sol,
cenoura,
sou mais dia.
sou mais dúvida,
menos vida.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Esperei o ano inteiro
finalmente é fevereiro!
A vida solta, o carnaval
as fantasias no varal
os carros não passam 
na Avenida Atlântica
eu caminho
ao lado dele
a gente se olha no rosto
e se sente em agosto.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A gente nunca mais andou por aí
Brincando de pisar só nos ladrilhos brancos
Você de chinelo, eu de tamancos
Sem pressa pra voltar
Perdendo a hora do almoço e do jantar

Nem me lembro mais que cara você faz
Quando vê que não me ganha
Nos jogos de Adedanha
-você sempre esquece a capital da Alemanha-

Tão gostoso passar o dia de moletom
Nós dois juntinhos, enrolados no edredom
Fondue, vinho, poesias, lareira
Tudo era pouco pra uma noite inteira.

E quando sinto o frio do inverno
Me agasalho com o paletó do seu terno
Requento a cumbuca de arroz
Ainda sirvo a mesa pra dois.

sábado, 12 de maio de 2012

lua de mentira
dos românticos
ao som de lira
ele delira
ela descansa
fora do rítmo
da dança

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O dia tão lindo
O sol ainda amarelo
O mundo inteiro sorrindo
Você em um universo paralelo.
Os passos curtos, tortos,
Os olhos grandes, mortos,
por fim desviam de mim.
Você parece gostar do sol
Ou pelo menos aguenta
Geralmente te vejo na sombra
Quer vestir seu cachecol
amarelo de renda.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ninguém mais ri
da vida em uma nota só
Fá, Sol, Si
Mi, Ré, Dó
Lá no papel
as notas se queimam
não há lareira
para aquecer a mão:
música na panela de pressão.
Si, Lá, Sol, Fá, Mi, Ré, Dó
as notas em depressão.

sábado, 20 de agosto de 2011

Eu sonho em prosa,
verso,
filosofia.
A vida recomeça todo dia.
Não há elipse total
do amor real
(a noite só é escura
para quem sofre de insônia).

quinta-feira, 5 de maio de 2011

mais um dia
de saudade,
de morte
espiritual
eu enfrento
a claridade
como quem
enfrenta o mal
quando não chega
a insônia
arrasto-me
para um inferno
perco os dentes,
acordo quente
anoto o sonho
em um caderno.

agora meu sonho
é eterno.

domingo, 24 de abril de 2011

Mesmo que eu esqueça
o bê-a-bá do amor
Embora eu esteja cega
sem poder ver cor
Ponho açúcar em versos
Imersos dentro de mim
Que me acalmam de noite
Quando finalmente estamos juntos
Ainda que apenas em sonhos
quase sempre loucos
Ou em pensamentos
entre bocejos roucos
e desejos perfumados por Paco Rabanne
Também eu espero que você sorria
com o nosso álbum de fotografias.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Te envenenam
Com as palavras
Meus poemas.

Minhas unhas
Arranham mais
Do que és capaz
De suportar.

Entre meus dedos
Escorre o pecado
Não escondo segredos
Enfrento o diabo.

Tenta fechar os olhos
com a força
que tens nos pés
e conta até dez.

Recolhe e dá pra mim,
com paixão alguma,
as flores do teu jardim
para eu ver se perfumam.
Cada dia
Eu morro um pouco
E mato um louco
Com meu olhar.
Não tenho medo
Pena tampouco
Transformo em outro
aquele mesmo
a me fitar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quero
Continuar
Com ti no ar
Um dia
te encontrei
no breu
de um sonho meu.
Seu rosto marcado
por unha de gato
sorria para mim.
Noutro dia
apareceu
no fim
de um sonho ruim.
Seus olhos ainda
faziam chover
lágrimas de carmim.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

sabe tudo
o sabiá
só não sabe
que sabe voar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Amorosa

rosa
como a cor
da maçã do meu rosto
rosa
como a flor
que tem cheiro e tem gosto.
amo rosa
amorosa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Parece que
as frases mais bonitas
nunca serão ditas.
eu escutava sua respiração
traduzia seu silêncio
em palavras de amor.
Lia com a voz rouca
letras quase apagadas
na fumaça da sua boca.

tomara que você não seja diabético

Quando eu te convidar
pra tomar um pouco de chá
vou esconder o adoçante
atrás da estante.

Quem sabe não consigo ler
no fundo da sua xícara
uma mensagem doce,
uma palavra que fosse
formada com restos de açúcar.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Presa
Não há predador
Dói
Não há pré da dor
Presa por um
Ferro sujo
Serro
Fujo.

domingo, 28 de novembro de 2010

Tímido espetáculo

Doce cantora
de olhinhos tortos
atentos
há tempos
à plateia
em sua estreia.
largada
no palco
desequilibrada
no salto
só uma pergunta:
"ela não canta?"
até molhou a garganta,
mas onde entrou muda
saiu planta.

sábado, 27 de novembro de 2010

Pelo hábito de lembrar do passado

Se eu dedicava
a você
cada palavra
que escrevia
e até o seu nome
já se escondia
nas entrelinhas
das poesias
que é que me custa
uma a mais,
uma a menos?
Eu te dou esta
de cortesia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A um leitor

Vale a pena dizer
que não sou poeta e nem quero ser.
Sou apenas amante do amor
não da forma moderna
ou da tradicional
Sou amante do amor real.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Respirar

Quando um homem se aproxima da morte,
puxar o ar pra dentro
é um ato de sorte
ou uma perda de tempo?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Questionamento

Quanto tempo dura
a lâmpada que acende o sol?
E quem é que se aventura
a ir lá em cima trocar,
Subir mais alto do que um rouxinol,
quando, um dia, ela queimar?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um soneto para Capitu

Oh! Flor do céu!
Oh! Flor cândida e pura!
Flor que vive a vida curta
Para quem o tempo tanto dura
Do meu peito o coração ela furta
Com seu espinho que me rasga e me cura.
Oh! Flor do céu!
Oh! Flor de cheiro tão doce!
Fez de mim seu único jardineiro
consumindo-me por inteiro
arrancando-me até a última migalha
E, sem palavras de despedida,
Perde-se a vida,
ganha-se a batalha.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O menino veio de longe
Carregando uma maleta
Veio querendo ser monge
Guardou o passado na gaveta.

Entrou pra vida mundana
Vida de tédio e vazia
Com falta de grana
E também de alegria.

Até que chegou um momento
Que lhe deu contentamento:
Escreveu uns versos tristes
Sobre a vida que não existe.

Sonhou ser escritor
Desejou vida, ansiou amor
Percebeu que a poesia
Afastara a dor que antes sentia.

Assim foi que voltou para longe
Já sem o uniforme de monge
Resgatou o seu passado
Encheu a vida de alegria:
A gaveta é que ficou vazia.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Feito doida

Finjo-me de morta
Por viva que estou
O silêncio me corta
Eu levanto no escuro
Para fazer barulho
Sozinha, feito doida
Dessas que dançam
E não se cansam
Dessas que sonham
Dormindo e acordada
Dessas que até acreditam em fada
E se jogam no chão,
Pulam alto de um muro,
se fingem de mortas
Sozinhas, no escuro.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Em chamas

Corriam os meus olhos pelo vazio
enchendo-se de lágrimas
acompanhavam o curso de um rio,
cavalos galopando em máxima velocidade
durante enorme tempestade.
não só os olhos corriam:
o corpo todo ficou brando
foi levado pelo desencanto.
só o pensamento voava alto.
o coração, no íntimo, palpitava
foi se desfazendo
exposto ao sol de dezembro
cada vez mais aquecido
mais esquecido.

Fracasso

Você se acusou
disse que fracassou
Depois me acusou
disse que fraca eu sou
Me faça um favor:
vire os olhos para outro lado
e carrega o teu fracasso
que você não sabe,
mas eu carrego até cabo de aço.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O último gole

Hoje me levantei
mais cansada que de costume
na boca ainda senti
o gosto do teu perfume
que já me fez sorrir
e me lembrou
o último gole de aguardente
que restou
na jarra transparente
e que me embriagou.
Ainda trocando as pernas
vendo dobrado:
quatro joelhos
passei por um espelho
não parei, mas reparei
que a marca dos teus lábios
estampada em meu pescoço
misturava-se
com a de outros moços.

Tudo velho de novo

Estou tão distante
Dos teus abraços
A tantos passos
Que já nem sei

O que me deixa triste
É que sem você não existe
Aquela fantasia
Que contigo existiria

Como posso estar tão presa?
Ao teu mundo
Ao teu cheiro
Cada segundo
Um ano inteiro
É sem você
É por você

domingo, 25 de julho de 2010

Metros e metros

Caminho errante
em alta velocidade
escondendo minha ebriedade
nos bolsos de algum amante
mas ainda vou na sua direção
por uma rua que não dá mão.

domingo, 18 de julho de 2010

Agrado

É comum eu parar
Em frente ao espelho
De olhos fechados
Batom vermelho
E cílios pintados
À espera
De que minha imagem
Estenda a mão
agradecendo
Pela maquiagem.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

De hora em hora

Meus olhos vidrados
no relógio e no portão
Minhas unhas roídas
de medo ou de paixão
Meu quarto intacto
com flores no chão
e o meu coração à mão.

Meus lábios mordidos
se abrem com a porta
Meu abraço guardado
vai se apresentar
Minha mão tremendo
de frio se corta
e o meu coração no ar.

Meus olhos perdidos
em nenhum lugar
Meu lábio vermelho
de sangue e batom
Minha cama virada
já sem edredom
e o teu coração na mão.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tocaia

Sozinha
Eu com o mundo em volta
Sorrindo por simpatia
Virando de cara torta
Respiro o ar, respiro fundo
Espero você chegar
Um dia vem
Para eu respirar
Você e mais ninguém.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pintura

Você, sem querer,
colore meus dias.
Até a sua ausência
é mais presente
do que a maioria.

Pinta de verde
a minha tristeza,
pois essa é minha natureza.

Pinta de rosa
o meu coração,
pinta que chama atenção.

Não pare nunca
de pintar para mim
que eu finjo não ser
apenas o fim.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Gula

Nosso amor,
esquecido a esmo
na fogueira,
desde a noite derradeira,
já virou torresmo.

Será que agora,
depois de tanto chororô,
ainda podemos comer nosso amor?

domingo, 9 de maio de 2010

Fuga

Prego que me soltes
Deste prego que me prende
Eu não sou somente
Mais um quadro pendurado.
Fujo dos teus sonhos
Que não me deixam dormir
Invento homens tristonhos
Que nunca conheci.
Talvez entendas um dia
A razão para fugir de ti
Só quero por enquanto
que seques teu pranto
e sorrias.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Álbum incompleto

Não vou colecionar beijos e abraços
para depois ver outras mulheres
com a coleção igual à minha:
quero tirar sempre a mesma figurinha.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vovó paulina, saudades

Gosto de olhar
fixo a um ponto
e assim esperar
nosso reencontro.

Talvez demore:
ainda estou viva
e a morte é definitiva.

Na boca um gosto azedo
adequado ao momento
eu sempre com medo
permaneço ao relento.

Procuro te ver,
ouvir, sentir
mesmo temendo
um dia conseguir
e sair correndo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vingança

Te vejo cruzando outros mares
rondando outros bares
fazendo de conta
que já não me queres
como a outras mulheres
isso não me afronta
por mais que me queiras
não me terás por inteira.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sem rumo, com rima

Me perco nessa estrada
cujo asfalto já está gasto
ando na mão errada
tentando não deixar rastro.
Avanço um passo por vez
quando noto, voltei três
vou lapidando meu caminho
mesmo quando sozinho,
talvez seja exigência pura
ou banhada por loucura.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pânico de Semi-conhecidos

Corpos que falam e se esquecem
Passo por um a cada instante
Sinto como se eles tivessem
Me conhecido um tempo antes.
Talvez das aulas de latim
Da igreja aos domingos,
Ou até da quermesse.
Não devem lembrar-se de mim
São corpos que falam, mas se esquecem.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Revolução

Como um coelhinho
saí da toca por engano
fui explorar o ambiente
estava tão diferente
que eu não suportei
criei logo novas leis
leis velhas, esquecidas
receberam as boas-vindas
nessa nova era
era linda
que me espera.

sábado, 13 de março de 2010

Desinformado

Você é meu rei
é você que faz a lei.

Ainda bem que não sabe disso
sorte que não te contei.
Pensa que eu mando, coitado
melhor para mim
que seja sempre assim.

Saudades

Quero te ver
de verdade
sei que é maldade
eu esconder
que preciso de você.

Quero te ver
de maldade
sei que é preciso
de verdade
esconder isso de você.

terça-feira, 2 de março de 2010

Piso forte no chão
fingindo que é a sua mão
bato na mesa da sala
como se fosse a sua cara
Sinto pena de você
mesmo sem doer.

Não saiu sangue.
Que quer que eu estanque?

Reencontro

Passo por você
por que reconhecer?

Se um dia ouvi seu canto
não me lembro mais
já dormi tanto
quanto tempo faz?

Espero não te ver de novo
eu vou de um lado
vou disfarçado
quero que vá do outro.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Insônia

Às vezes durmo no chão
quando está gelado,
principalmente no verão,
me deito de lado
e é tão bom
não me perder no edredom.

Seu show

Você é medroso
mas tem carisma
e sempre cisma
em aparecer.

Te imagino nesse circo
entretendo o palhaço
pagando mico
roubando todo o espaço.
Depois imita a bailarina
mudando a voz
cada vez mais fina.
Faz mágicas desconhecidas
sequer você as conhece
inventa os truques na hora
e depois vai embora
porque não se arrisca
a pôr a mão
dentro da boca do leão.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Colagem

Você está tão sério.
Eu vou te desenhar
sem qualquer critério
em tamanho real
exatamente igual
numa cartolina branca
cada traço perfeito,
se borrar dá-se um jeito
uma imagem mimetica.
Quando terminar
vou rabiscar sua boca triste
e colar por cima um sorriso
porque só a felicidade existe.

Arcadismo

As ovelhas tocavam flauta
para outros animais
entre os quais
alguns escreviam em pautas
as características principais
do som tocado por elas
e outros escutavam no mato
as melodias mais belas
com seus ouvidos musicais
para dançar de sapatos
entretendo aqueles homens
que achavam tudo chato.

Framboesa

Me acorda com café na cama,
diz que me ama,
mas não te desculpo
por não pôr na mesa
minha framboesa.

Quando te vi com essa surpresa
quase te mordi
juro que te confundi
achei que você fosse
uma framboesa.

Você quis me agredir
teve medo de mim
por sorte sai ilesa
depois não resisti
e fui comprar framboesa.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Seca

Carreguei um balde
de casa até a floresta
com a força que me resta
pra dar banho nas crianças
(que já cheiravam mal)
com um pouco de água natural.

Voltei com ele vazio
não havia água no rio.

Egocentrismo

A dor que a gente não sente
é sempre mais calada
e a voz que a gente não ouve
é a que não diz nada
porque se não é comigo
não é com mais ninguém
sensibilidade como a minha
quem é que tem?

domingo, 31 de janeiro de 2010

Temer por quê?

Não tem mistério
é só um quarto
um pouco escuro
onde eu procuro
(por distração)
o que me assusta
que vem na minha direção.

Espero que esse vento
leve meu medo embora
e a insônia também
será que consigo dormir agora?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Deixa estar

Vou enroscar com esforço
meu braço carnudo
no seu pescoço
até você ficar mudo
Pra depois não precisar
ouvir sua voz
reclamando
já zangado
quando eu estiver
enroscando
meu braço
(agora quebrado)
no seu pescoço.

Nossa diferença

Você faz sempre
a mesma poesia
porque sente todo dia
a mesma dor.

Eu que tenho
sentimentos de ator
escrevo versos
com mais de uma cor.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Na confusão

Minha mão
tão gelada
encostou na mão errada.
E ficou,
mal notou,
foi contente pela rua
se esqueceu da mão que é tua.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cinco sentidos

Eu sonho o tempo inteiro
Cada sonho é de uma cor:
Amarelo se dá dinheiro,
Vermelho se tem amor.

Os meus sonhos não têm cheiro
Mas todos eles têm sabor
De jantar com muito tempero
De carinho sem qualquer dor.

Tento tocá-los com cuidado
Não durmo a noite,
Estou sempre acordado.

Então como sonho tanto?
Sentindo a tua voz,
Ouvindo o teu canto.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

No ônibus

Lá fora chove demais
Aqui dentro também
Do que a chuva é capaz?

Os bancos formam poças
Quem se arrisca sentar-se?
Só as moças.

Do chão sujo faz-se lama
Quem fecha as janelas?
Só as damas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Como começar minha história?

Meus pensamentos tão confusos
Onde guardei minha caneta?
Me falha a memória...

Deve estar na gaveta
Em qual delas? Há tantas!
Aqui está!
Não era esta, mas já adianta.

Preciso de um bom enunciado
Vejo minhas ideias no ar
Está tudo embaralhado
Tento arrumar.

O nervosismo me atinge
Tenho caimbra, estico o punho
Escrevo tudo, quase nada
Em um monte de rascunho.

Depois o sacrifício
de unir as palavras,
terminar o ofício.

Só dormí após revisar
Melhor seria não acordar
As folhas não estavam mais lá.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Frutas

As frutas da estação
Têm mais sabor
O cheiro fica na mão
E onde for.

Pra que comer?
Do gosto vou me esquecer.

Mas se guardar estraga.
Dá bicho.
Essa vai pro lixo.

Peixe Grande

Era sempre o mesmo peixe
Quis pescar, nao consegui
E diziam: "coitado, deixe!"
Nada disso, nao desisti.

Tive pena no começo
Mas ele me enfrentou
Disso eu não me esqueço
Minha pena acabou.

Peixe grande me dá fome
Fui tentar fazer carinho
E perguntei o seu nome

Peixe grande tão esperto
Caí no lago, perdí a vara
De pescar nem cheguei perto.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Fadas

As fadinhas voavam
Ao redor de um chafariz
Cada uma de uma cor
Pareciam de verniz.

Sutilmente e com leveza
Formavam uma imagem
Por que será que nao falavam?
Parecia uma mensagem.

Podia ser importante,
Ou talvez nao fosse nada
Afinal, nao existem fadas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Mais uma vez

Voltei naquele lugar
A saudade era pouca
Bebi o mesmo mate
Senti as férias na boca.

Procurei me divertir
O lugar parecia menor
Ou será que fui eu que cresci?

Nem era um morro azul
E também não tinha cartas
Pelo menos não pra mim
Mas a mesa ainda era farta.

Deitei no gramado e dormi
Tentei sonhar com minha avó
Não consegui.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vida dura

Aprendi a soletrar
Descobri o meu talento
Mas parei de praticar
E as letras voaram ao vento

Entrei pra aula de dança
Tropecei numa presilha
Desejei minha vingança
E rasguei a sapatilha

Fui nadar na piscina
Pra lavar o meu calo
De tão pequenina
Desci pelo ralo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Meu natal

Comprei os presentes
Escondi na gaveta
Uma blusa, um pente
E uma gravata preta.

Cozinhei uma ceia
Bem caprichada
Peru com aveia
E também rabanada.

Pendurei uns enfeites
Ao redor da árvore
Usei cola e estilete
E decorei o mármore.

Mas não parecia natal
Mesmo com tanto cuidado
Me esqueci do principal:
Reunir os convidados.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Bêbado

Virei mais uma cachaça
Esperei ver tudo rodar
Fechei os olhos com graça
Me senti desequilibrar
Chorei da minha desgraça
Não vi o efeito passar
Dormi no meio da praça
Não lembrei de acordar.

Paulina

No céu ela pinta uma estrela
Pinta com mais de uma cor
E o que pintou ao longo da vida
Deixou de herança com todo amor.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Avó

As crianças correm pela casa
A avó reclama preocupada
Com os vizinhos do andar debaixo
E com as velas acesas na bancada.

Até que as crianças adormecem
Os vizinhos não mais se manifestam
As velas se apagam, escurece
E a avó reclama do silêncio.